Poñámonos no seu lugar: “My teacher is a donkey”

O comezo de curso é un bo momento para reformularmos a nosa práctica docente… e é que ás veces esquecemos que fomos estudantes. O seguinte relato é un texto que tomo prestado de Séchu Sende. Onde pon Inglés, poñamos Lingua Galega, Historia, Física e Química, Matemáticas, Bioloxía…

My teacher is a donkey

Xis Magarinhos tinha trinta e cinco, gostava de viajar a países exóticos no verao –o último fora Dinamarca-, tinha uns lentes redondos e era o xefe de estudos do instituto.

Era um licéu pequeno, em cuarto de secundária só havia sete alunos e tres alunas, e em terceiro, quince em total. Magarinhos nunca tivera tantas horas livres e havia días nos que, com o aborrecemento, chegava mesmo a colher sono.

Sempre preparava as aulas dez dias antes e deixava-lhe as fotocópias ao zelador com umha semana de previsom. Estava mui bem organizado. E sempre colhia de primeiro o jornal da sala para fazer a sopa de letras. Mas, aínda que sempre havia algo que fazer na xefatura de estudos, um dia veu num cristal como na boca aberta lhe entrava umha mosca.

Caía pior que melhor porque com el suspendia bastante gente e era um desses profes que crem que a sua materia é a mais importante. E nom parava demasiado com os companheiros e companheiras, sempre lhe custara colher confianza, e mais mante-la.

Ademais tinha outro problema: as línguas davam-se-lhe fatal. Por isso sabia que nom era um modelo explicando –sempre com digresóns e reticéncias-, que nom tinha o que se di dom de palavra –ás vezes chegava a tatexar-.

Mas o que pior levava era o inglés que intentara aprender inutilmente durante tantos anos, de neno e despois na adolescéncia.

Lola dava inglés. A princípio de curso, recém chegado de Irlanda ou Viena ou Praga, Magarinhos sempre lhe dicía Merda, é que nom tenho nem idea, som um desastre para o inglés! Um dia tenho que matricular-me numha académia… Aínda que no fondo sabia que nunca o faria.

Começara a ir ao ginásio tres vezes e á piscina quatro ou cinco e sempre acabava deixando-o. E com o inglés sabia que passaria o mesmo ou pior. Nos últimos dez anos começara um curso por fascículos e outro por correspondéncia e os dous abandonara-os antes de dar aprendido bem os números.

Assi que um dia tivo umha ideia, que lhe veu como um flash num cámbio de aula.

El saía e Lola entrava em 4º A. Entretivera-se com a soluçom dum problema e Lola chamou á porta… Olá?

– Ah, Lola, desculpa, é que nos liamos… Já acabei.

– Nom te preocupes, Xis.

Quando se cruzarom na porta Lola dixo-lhe Se queres quedar… E chiscando um olho: Hoje vamos ver algúns verbos doados.

– Falha me fazia… Dixo abrindo os olhos e encolhendo os ombros… Venha, chau.

Na biblioteca, fichando os dez livros novos, pensou E por que nom?. E no recreo foi onde Lola.

– Lola, umha cousa…

– Di-me.

– Vai-che parecer umha tonteria. E si que o é… Digo eu… E que che pareceria se fosse ás tuas aulas de inglés de 4º A?

– Como?

– Nom sei, suponho que nom será mui legal e todo isso, ou ao melhor si, eu que sei, mas…

– Tu estás mal da cabeça…

– Ahá… Podiamos ve-lo… algo así como um experimento, um exercício didáctico, umha proba metodológica, eu que sei. Eu vou ás aulas e aprendo inglés e…

Patatim, patatám, ao final convenceu a Lola e o primeiro día que quedou na aula aos sete alumnos e tres alumnas explicou-lhes –com digresóns e reticéncias- que aquilo era parte dum projecto pedagógico e que desde aquela até final do curso seria o seu companheiro nas aulas de inglés.

A primeira avaliaçom suspendeu-na.

– Lola, sinto-o… –dixo-lhe envergonhado- É que com a xefatura e o lio que tivem na casa com a mudanza… Já ves que quando me ponho vou fazendo os deberes… Mas…, nom sei… De veras, na segunda avaliaçóm vou ponher-me em sério e adiante…

Magarinhos sabía que o inglés non acabava de… El intentava-o mas… A gramática, o léxico…, uf. Na aula distraía-se umhas vezes com o voo dumha mosca e outras com os ruxe ruxe dos rapaces e as rapazas que, quando descubrirom que o inglés se lhe dava tam mal como a eles –agás a Vítor e a Ugia, que semelhavam ter um instinto especial- começarom a deixar-lhe os deberes quando el nom os sabia fazer, ou se esquecia de traze-los, e a pedir-lhe os seus quando eles nom os levavam da casa.

A segunda avaliaçom foi um pouco melhor. Aprobou dous parciais e suspendeu um. Mas seguia a ter-lhe pánico aos exercícios orais que, entre tatexo e tatexo, faziam que se sentisse ridículo.

Um día levantou a mao e atreveu-se a sugerir:

– Lola, por que nom nos pos algo de música?, nom sei, algo dos Rolling Stones ou…

– Si, si, ou de Eminem, dixo Vítor.

– Nom sei, Lola, para trabalhar com algo diferente assi de vez em quando…

– Os Rolling Stones? Sabes, Magarinhos, aqui no programa nom aparece por ningúm lado nada sobre rock contemporáneo. A minha forma de dar aulas é assi. Seguro que hai mil formas de impartir inglés, mas esta é a minha, a tradicional, já sabes: trabalho e esforço… Para aprobar o que se necessita é esforço…

– Já, aprobar é importante, Lola, mas o que eu quero é aprender, aprender inglés…

Lola tusiu. E como sempre fazía quando um aluno se enfrontava a ela dixo:

– Venha, cambiamos de tema, e se hai algúm problema ves falar comigo despois.. E agora um ditado.

Nom foi falar com ela despois. Magarinhos tinha o seu orgulho.

E tamém suspendeu a segunda avaliaçom, como o resto de 4ºA menos Vítor e Ugia.

– Uff, Lola, juro-che que desta me esforcei. Fixem sempre os exercícios da casa –mentiu- e na aula…

– Nom sei, Magarinhos, sigo sem ver os frutos do esforço. Fixeche bem duas probas mas o resto…, o resto foi um desastre. E na aula, vexo-te distraído, ás vezes estás em Bábia e o outro dia nom parache de falar polo baixo com Humberto, aínda despois de que vos chamara a atençom… E que me dis das probas orais?

Vale, o inglés daba-se-lhe fatal. E estava totalmente desmotivado. Pensou em deixa-lo, e mesmo começou a sonhar que tamém suspendia a terceira avaliaçom, e a durmir mal. Ademais, nom queria problemas com Lola… Rosa, a de língua, já lhe preguntara com um risinho malicioso no corredor: Que, Magarinhos, semelha que hai problemas com o inglés, eh? E começava a escoitar ao resto da clase, especialmente a Víctor, rindo del quando se equivocava nalgumha resposta.

Mas se conseguira acabar a carreira e aprobar as oposiçóns nom era possível que puidese suspender aos trinta e cinco o inglés de 4º da ESO. Passa-se o que passa-se nom abandonaria. Tinha que esforçarse mais.

Mas aquelas tres horas eram as piores da semana. Ponhíam-no de mal humor. Saía delas cada dia mais frustrado e chegou a pensar que Lola sempre lhe fazia as perguntas mais complicadas, como se lhe tivese manía ou algo assi.

E quando chegava á casa abrir o libro de texto e a libreta era o esforço mais custoso do dia. Ademais, tinha que ler Romeo e Juliet numha versom reducida de 80 páginas e nom conseguia acabar um parágrafo seguido sem se perder.

O dia do exame final viu aquilo na pizarra quando entrou a primeira hora: “My teacher is a donkey”. Sabía que donkey nom era nada bo, e borrou-no mordendo a rábia. Nom se ía pór á altura dum neno de quince anos. Mas a letra era a de Vítor e se as cousas nom fossem como eram…, pensou, ninguém o librava de comer um par de óstias.

No exame Lola preguntou-lhe como perderam a vida Romeo e Juliet e el nom se acordara de como se diciam nem veleno nem coitelo em inglés. Quedou bloqueado e começou a tatejar the…they loving, she she death, the lo love, oh, my my my god, Lola… até que lhe pediu, por favor que lhe perguntasse qualquer outra cousa, que el lera case todo o livro, que mesmo abrira o dicionário e que…

– Zanks, sit daum…, escoitou.

Todo dependia do exame escrito que entregou pensando que fora o melhor exame de inglés da sua vida e que recebeu corrigido ao dia seguinte com umha palavra em vermelho a encher todo o fólio: Suspenso.

Esse curso todos os alunos e alunas de 3º e 4º de secundária aprobaron matemáticas, Xis Magarinhos pediu o traslado do centro, matriculou-se num curso de checo e o último dia do instituto, sem que o visse ninguém, escrebeu com umha chave na porta do Citröen de Lola: DONKEY

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Unha resposta a “Poñámonos no seu lugar: “My teacher is a donkey”

  1. Canta sabiduría hai neste relato. Todos os profes deberiamos lelo, aínda que dubido de que algúns o entendan. Seguro que pensan co Magariños é un desequilibrado (o que non é difícil sendo Xefe de Estudos) e que calquera parecido coa realidade é pura coincidencia. Eu identícome case totalmente co Magarinhos, tamén quero aprender inglés aínda que nunca pensei facelo no Colexio, nin tan sequera na Escola de Idiomas. Iso si tamén penso que a miña materia é a máis importante e non tolero (ben) que calquera ignorante (alumno) me cuestione o método.
    Por outra banda, non me parecería mal que os profes de inglés e matemáticas fosen uns ás clases dos outros, a ver se baixaba o escandaloso número de suspensos nesas materias.

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